sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Bartholomeu - Amigo meu


 
Ontem, 9 de Outubro, foi um dia muito difícil. O meu Barthô fez quinze anos e tive que me despedir dele. Não é fácil decidir ter alguém ao seu lado sofrendo ou permitir que ele faça a sua passagem com dignidade e sem sofrimento.

Novamente ele estava com problemas sérios de coluna e também com uma infecção que o estava corroendo por dentro. Literalmente.

Quando o recebi na minha mão. Isso mesmo na minha mão. Ele coube na palma. Queria um cachorro pra dormir comigo e ser criado dentro de casa, mas isso nunca foi possível. Ele era muito ativo desde pequeno, cresceu rapidamente e soltava muito pelo. Assim, decidimos criá-lo no quintal.

O Barthô era terrível quando ficava solto. Minha mãe ainda se lembra de um vestido que trouxe para ela de Miami e ele mastigou inteiro, depois de ter tirado do varal. Não dava pra vacilar. Era um cachorro grande e afável. Qualquer um podia lhe fazer um carinho.

Como somos parecidos. Passamos por perrengues juntos e sempre que precisei do seu conforto ele estava lá. "Infelizmente" somente de poucos anos para cá, mas também quando ele mais precisou de acompanhamento médico eu estava com grana para poder oferecer a ele os cuidados necessários. Nem sempre foi assim, mas ele entendia. Algumas vezes caminhamos na tentativa de tornar um hábito, mas não conseguia continuar. Como ele puxava na rua. Queria conhecer. Ficava no quintal com espaço suficiente para se exercitar. Porém as escadas com o passar dos anos, lhe causou dores na coluna e problemas nas articulações. Mesmo assim, quando o meu pai resolveu começar a passear com ele todas as tardes, ele se levantava e ia.

Agradeço meu pai que foi muito importante nos momentos em que ele mais precisou de atenção. Ele pedia por algo mais do que ter água limpa e comida. O Barthô fez um bem tão grande para o meu pai, mas meu pai fez um bem imensamente maior para o Barthô. Saiam para caminhar todos os dias no horário que o Barthô queria. Claro! Os cochilos depois do almoço ficaram mais curtos.

Minha comadre, cunhada e amiga disse que: "Sua única exigência – era carinho na cabeça". Pura verdade. Todos os dias, uma passada de mão na cabeça e um aconchego nas orelhas. Comida e água.

Eu fiquei ausente de casa, depois da minha mudança, (saí da casa dos meus pais para morar sozinho) mas ele sempre estava lá para me cheirar quando chegava e aproveitava para ficar com a cabeça perto de mim a oferendo para  eu coçar a sua orelha e dar o palitinho pra ele mastigar. No domingo último foi assim.

Ontem pedi perdão a ele por ter que tomar esta decisão. Acredito que a mais dolorida da minha vida até então. Como disse o veterinário, do jeito que ele estava foi a maior prova de amizade e amor que eu poderia lhe oferecer. Não é fácil consentir. Peço que, São Francisco de Assis o guarde para sempre a seu lado, como hei de guardá-lo para sempre no meu coração.

Adeus Bartholomeu

 

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