Ontem,
9 de Outubro, foi um dia muito difícil. O meu Barthô fez quinze anos e tive que
me despedir dele. Não é fácil decidir ter alguém ao seu lado sofrendo ou
permitir que ele faça a sua passagem com dignidade e sem sofrimento.
Novamente
ele estava com problemas sérios de coluna e também com uma infecção que o
estava corroendo por dentro. Literalmente.
Quando
o recebi na minha mão. Isso mesmo na minha mão. Ele coube na palma. Queria um
cachorro pra dormir comigo e ser criado dentro de casa, mas isso nunca foi
possível. Ele era muito ativo desde pequeno, cresceu rapidamente e soltava
muito pelo. Assim, decidimos criá-lo no quintal.
O
Barthô era terrível quando ficava solto. Minha mãe ainda se lembra de um
vestido que trouxe para ela de Miami e ele mastigou inteiro, depois de ter
tirado do varal. Não dava pra vacilar. Era um cachorro grande e afável.
Qualquer um podia lhe fazer um carinho.
Como
somos parecidos. Passamos por perrengues juntos e sempre que precisei do seu
conforto ele estava lá. "Infelizmente" somente de poucos anos para
cá, mas também quando ele mais precisou de acompanhamento médico eu estava com
grana para poder oferecer a ele os cuidados necessários. Nem sempre foi assim,
mas ele entendia. Algumas vezes caminhamos na tentativa de tornar um hábito,
mas não conseguia continuar. Como ele puxava na rua. Queria conhecer. Ficava no
quintal com espaço suficiente para se exercitar. Porém as escadas com o passar
dos anos, lhe causou dores na coluna e problemas nas articulações. Mesmo assim,
quando o meu pai resolveu começar a passear com ele todas as tardes, ele se
levantava e ia.
Agradeço
meu pai que foi muito importante nos momentos em que ele mais precisou de
atenção. Ele pedia por algo mais do que ter água limpa e comida. O Barthô fez
um bem tão grande para o meu pai, mas meu pai fez um bem imensamente maior para
o Barthô. Saiam para caminhar todos os dias no horário que o Barthô queria. Claro!
Os cochilos depois do almoço ficaram mais curtos.
Minha
comadre, cunhada e amiga disse que: "Sua única exigência – era carinho na
cabeça". Pura verdade. Todos os dias, uma passada de mão na cabeça e um
aconchego nas orelhas. Comida e água.
Eu
fiquei ausente de casa, depois da minha mudança, (saí da casa dos meus pais
para morar sozinho) mas ele sempre estava lá para me cheirar quando chegava e
aproveitava para ficar com a cabeça perto de mim a oferendo para eu coçar a sua orelha e dar o palitinho pra
ele mastigar. No domingo último foi assim.
Ontem
pedi perdão a ele por ter que tomar esta decisão. Acredito que a mais dolorida
da minha vida até então. Como disse o veterinário, do jeito que ele estava foi
a maior prova de amizade e amor que eu poderia lhe oferecer. Não é fácil
consentir. Peço que, São Francisco de Assis o guarde para sempre a seu lado, como
hei de guardá-lo para sempre no meu coração.
Adeus
Bartholomeu


